segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Cantador | Uxía, Zeca Medeiros e Dulce Pontes

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domingo, 30 de agosto de 2009

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

José Afonso poeta | por Óscar Lopes

Óscar Lopes

A canção lírica e satírica de raizes populares, pela qual há quase oito séculos principiou o registo da poesia portuguesa, veio encontrar um surpreendente renovo no último decénio, ou pouco mais, de resistência ao fascismo e a uma guerra injusta, e depois neste quase decélÚo mais recente em que tem decorrido um processo sinuoso e ainda indecidido de luta por uma democracia real à medida das actuais possibilidades técnicas e humanas. José Afonso é um daqueles novos segréis que mais criativamente reatam uma tão velha tradição nacional.
Reconhecemo-lo, imediatamente, nos ritos paralelísticos, numa enorme liberdade de fantasia enternecida, solidária ou sarcástica, proporcionada pelo perfeito entrosamento entre a letras e a música; e em motivos folclóricos rurais ou marítimos. Mas o que há de mais fascinante na face poética deste segrel nosso contemporâneo é a gama extraordinariamente rica do seu temperamento. Além do certeiro tino com que sabe escolher poesias alheias muito vocacionadas para o canto, José Afonso, como poeta, consegue admiráveis coisas como estas: recuperar a maior candura infantil ou rural (Balada do Sino), dar a rédea mais solta e criadora à lírica pessoal (Chamaram-me Cigano); atingir a invectiva mais flagrante e estimatizadora (Os Eunucos); exprimir o mais persuasivo e generoso companheirismo (Traz outro amigo também); colher os mais belos efeitos em incursões à beira do sem-sentido (colectânea Venham mais cinco); assumir formas de ataque frontal e quase sem metáfora à traição antidemocrática farisaicamente legalista (colectânea Com as minhas tamanquinhas); aliar a simpatia humana mais pura à denúncia da exploração salarial nas «praças de gente», do colonialismo e da violência (Lá no Xepangara, Cantar Alentejano, Por trás daquela janela.
Não foi por simples acaso que o santo-e-senha musical com que se abriram as esperanças de Abril veio a ser a Grândola, Vila Morena. É que, na sua serena e directa simplicidade, esta canção constitui a melhor contraprova da criatividade que noutros poemas-canções de José Afonso se assinala por inflexões imprevisíveis de humor, de intriga ou sequência frásica, de imagem, ou pelo imaginativo jogo de correlação letra/ curva melódica/ harmonia musical. Nesta canção, hoje emblemática e historicamente imortal, comparecem as grandes aspirações pelas quais tão corajosamente lutaram (os que lutaram) nos anos de sessenta, e por que se continua a lutar nos de oitenta: uma fraternidade real sem mistificações televisivas e outras, o direito à igualdade de ensejo para todos os portugueses ou portuguesas, a fidelidade ao princípio de que «o povo é quem mais ordena». E nem sequer ali falta a marca da área natal onde, apesar de tanta velhacaria e violência, resiste ainda uma reforma agrária já há seis séculos desejada pela peonagem rural patriótica de Nun' Álvares: uma azinheira erguida a símbolo dos anelos tão antigos e imorredoiros de liberdade real, numa vila morena como a terra que um dia acabará de ser resgatada para sempre.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Memórias de um artista cidadão



Viagem poética no canal central de Aveiro - 12 de Setembro pelas 21h30m - Grupo Poético de Aveiro

Para os que ainda não tiveram o prazer de participar nos passeios poéticos na ria de Aveiro (Canal Central) e para aqueles que queiram repetir a experiência, propomos uma nova viagem no próximo dia 12 de Setembro, pelas 21h30m.
Ponto de encontro:
cais de embarque dos barcos moliceiros, em frente ao posto de Turismo da Rota da Luz.
Tema: José Afonso. Todos poderão participar activamente lendo poemas de José Afonso ou muito simplesmente ouvir e desfrutar do ambiente poético.
Esta será a última viagem poética de 2009 organizada pela Livraria Buchholz, com a colaboração do Grupo Poético de Aveiro. Tem a particularidade de ser feita à noite e fazer parte das iniciativas de homenagem a José Afonso na cidade que o viu nascer.
É grátis, mas sujeita a inscrições que serão feitas na Livraria Buchholz a partir de
hoje. Se preferirem, pode-se fazer as inscrições dos interessados.
Inscrições limitadas a 30 lugares.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Há 80 anos nasceu um poeta e cantor

Faria de Almeida,
no jornal "Matosinhos Hoje"

Em Aveiro, no dia 2 de Agosto de 1929, nasceu
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, que o
mundo vira a conhecer por José Afonso, ou, simplesmente,
por Zeca. Zeca Afonso, falecido em 23
de Fevereiro de 1987, deixou-nos um legado de música
e poesia que foi, é e será um manancial de inspiração
para todos os que querem preservar a memória
da música popular portuguesa. Mas o seu
legado ultrapassa largamente o cariz artístico. O seu
exemplo de cidadão, de militante contra as opressões,
contra a supressão da liberdade, o seu desapego
aos bens materiais e a sua dádiva aos mais
desfavorecidos, são alguns dos ensinamentos que
nos doou. Para os que os conheceram pessoalmente,
os que o viram ao vivo nos vários palcos – desde os
melhores, aos mais improvisados – ou para os que
apenas o conhecem pelos seus discos, Zeca não morreu.
Está connosco, especialmente nas horas mais
difíceis, nos momentos mais dolorosos, onde a sua
música, a sua memória são lenitivos e esperança.
“80 anos de Zeca” é uma iniciativa que o Núcleo
do Norte da Associação José Afonso (AJA), lançou
e que já tem a participação de cinquenta instituições,
ligadas às mais variadas actividades artísticas,
do Porto e muitas outras localidades, entre as
quais a Galiza que guarda de Zeca uma memória
bem viva e que tem sabido homenageá-lo e lembrá-
lo em inúmeras iniciativas, entre as quais se
destaca a imposição recente do seu nome a uma
rua de Santiago de Compostela. Santiago onde,
em Maio de 1972, em estreia mundial, cantou
“Grândola Vila Morena”. Este evento, que se prolongará
do dia 2 de Agosto deste ano a 1 de Agosto
do próximo, celebra o 80º aniversário de José
Afonso. O Núcleo do Norte da AJA, em conjunto
com as primeiras instituições que apoiaram a iniciativa,
elaborou um Manifesto que lembra o
homem, o músico, o poeta, o cantor andarilho.
Afirma o Manifesto: “…queremos dançar, fazer teatro,
cantar, dizer palavras, ver, pintar, tomar conta
da rua, dar azo à libertinagem do agora.” Se hoje
Zeca fosse vivo, estaria ao lado dos que sofrem, dos
deserdados da sorte, dos desempregados, dos esfomeados,
dos que não têm com que comprar medicamentos.
Se Zeca fosse vivo, andaria de guitarra
na mão, por todos os recantos deste país, levando,
com as suas palavras e a sua música, uma mensagem
de esperança para atenuar a dor, um grito
de revolta para acabar com as injustiças e as desigualdades
Os leitores que pretendam saber notícias
das actividades que se perspectivam para estes
365 dias de homenagem a Zeca Afonso, podem consultar
o site da AJA (www.aja.pt) ou o blog
www.80anosdezeca.blogspot.pt”, onde também
terão a oportunidade de subscrever o Manifesto.

Entrevista de Rui Pato sobre José Afonso

Trabalho remetido por Manuel Valdrez.
Entrevista de Rui Pato conduzida pela jornalista Lídia Pereira.

DIÁRIO DAS BEIRAS, de 3 de Agosto de 2009
Rui Pato e José Afonso


Com o país e Coimbra a homenagearem José Afonso, o DIÁRIO AS BEIRAS falou com Rui Pato, o músico e médico que, com o poeta e cantor, escreveu uma página fundamental na história da cultura contemporânea em Portugal. Um novo canto que abriu caminho a muito e a muitos dos que cantaram e, assim, anteciparam a liberdade.

DIÁRIO AS BEIRAS – Como é que aconteceu o encontro entre Rui Pato, então um jovem estudante de liceu, e José Afonso?
Rui Pato – Estávamos no início dos anos 60 e eu já tocava viola num grupo de fados no Liceu D. João III (actual Escola Secundária José Falcão), de que faziam parte Francisco Martins, guitarrista, mas também Carlos Encarnação, num grupo de jovens da média burguesia da cidade que aprendiam a tocar viola e guitarra, no qual eu me incluía e que era patrocinado de alguma forma por António Portugal. Portanto, eu tinha já alguma prática no acompanhamento de cantores, além de ser também um autodidacta de viola clássica, com uma prática e um saber que era pouco habitual naquela altura, em Coimbra. O Zeca Afonso era amigo do meu pai [Rocha Pato, jornalista e chefe da Delegação de Coimbra do 1.º de Janeiro], que conhecia toda a gente do fado, na tertúlia da Brasileira, na Baixa. Quando o Zeca, já depois da sua passagem em Coimbra, como estudante e cantor do fado tradicional, já professor, regressa a Coimbra para mostrar aos amigos um modelo novo de canções, vai ter à Brasileira. Mas para se ouvirem as coisas novas era necessário um acompanhante à viola. Como eu tocava viola e o meu pai o lembrou, foram todos para minha casa para o Zeca mostrar as suas primeiras canções. E foi então que eu ouvi pela primeira vez as coisas novas do Zeca, que fui acompanhando à viola de uma maneira de que ele gostou. E pronto, nasceu ali a ideia de passar a acompanhar o Zeca Afonso, o que aconteceu logo até num primeiro disco, que também foi sugerido na altura.

E esse foi o momento em que apareceu o canto novo e se cimentou a sua ligação a José Afonso?
Exactamente. As canções que o Zeca cantou foram algumas das que depois se transformaram em símbolos, como “Os vampiros”, “O meu menino é de oiro”, “Tenho barcos, tenho remos”, aquelas primeiras coisas que ele gravou, que eu acompanhei, e que depois se transformaram em grandes sucessos. Seguiram-se um segundo disco e um terceiro. Comecei depois a acompanhar o Zeca em espectáculos um pouco por todo o país, o que aconteceu entre 1963 e 1969, na altura da crise académica. Ainda antes, por altura de 1965, comecei também a acompanhar o Adriano [Correia de Oliveira], o que voltou a acontecer com o António Portugal, o Pinho Brojo, o António Bernardino, numa actividade quase febril.

A crise académica veio quebrar essa ligação?
Chegamos a 1969 e como eu era dirigente académico fui castigado, foi-me retirada a possibilidade de ir para o estrangeiro e, por isso, não pude acompanhar o Zeca que começou a gravar lá fora em condições completamente diferentes daquelas que tinha em Portugal. Mas continuei a acompanhar o Adriano em 1969, em 70, ainda gravei com ele “O canto e as armas”, com poemas de Manuel Alegre. Em 70, 71, 72 ainda acompanhei o Adriano, ainda fiz várias coisas com o António Portugal, com o Brojo. Depois disso, quando me formei em Medicina, em 1972, dediquei-me ao exercício da profissão e só muito raramente fazia música, o que voltou a acontecer com o Adriano numa Festa do Avante e, depois, a pedido do Zeca, no seu último concerto no Coliseu, onde eu o acompanhei em três temas dos seus mais antigos.

Depois a medicina acabou por triunfar, embora a música continue a fazer parte da sua vida?
Exactamente, sempre. Eu costumo dizer que médicos há muitos... e não é só pelo gosto que eu tenho pela viola e pela música. É também porque eu considero que qualquer actividade profissional – e muito mais a medicina – beneficia se tivermos um outro interesse, de preferência ligado à arte, a música, a pintura, a escrita. Um médico que não faça mais nada para além da medicina é um homem limitado e, talvez por isso, há tantos médicos escritores, músicos, pintores.

E, de facto, há muitos médicos ligados às artes.
Sim. Também porque esta é uma profissão que tem uma grande componente humanista, um grande contacto com a realidade, com a tristeza, mas também com a alegria... o que nos enriquece bastante. Portanto eu, não digo que todos os dias pego na viola, sobretudo agora com a responsabilidade do conselho da administração [do Centro Hospitalar de Coimbra], mas tenho as violas sempre à mão. E quando me libertar de tudo isto e me aposentar, tenho um grupo de amigos que continuam a tocar e que eu vou passar a acompanhar mais, porque considero ser enriquecedor.

O que é que guarda daquele momento fundamental que foi o nascer de uma nova canção?
Claramente. Mas – e eu costumo dizer isto muitas vezes – só mais tarde é que soube que estava a viver um momento histórico quando comecei a acompanhar o Zeca. Eu na altura não me apercebi da dimensão do momento que estávamos a viver, o que aconteceu também com muitos dos seus amigos, com excepção talvez para um ou outro mais clarividente. E entre os amigos que mais lidavam com o Zeca na Brasileira estavam o Abílio Hernandez Cardoso, o Rainho, o Pedro Olaio, outras pessoas que já faleceram, como o meu pai, o sr. Amado, que tinha a Casa Amado em frente à Brasileira... Havia ali um grupo de amigos, também alguns estudantes quase ainda do tempo dele, que estavam nos Kágados e na Baco, repúblicas onde o Zeca Ficava quando vinha a Coimbra, a quem ele mostrava estas coisas novas. O facto é que as pessoas ligadas à música em Coimbra ainda estavam numa fase muito tradicionalista, mesmo os que mais tarde evoluíram e deram importantes passos em frente, como o António Portugal. O que aconteceu com as novas canções do Zeca foi um choque muito grande.

Numa cidade fechada...
Numa Coimbra ainda quase medieval, onde não se fazia mais nada a não ser o cantar melancólico das serenatas, aparecer alguém a cantar “o meu menino é d’oiro” ou “os meninos do Bairro Negro”... É evidente que o Zeca partia de uma cultura, no meu entender, francesa, de um Léo Ferré, do Georges Brassens, do Brel. Ou seja, de um contexto já com uma intenção que não havia em Coimbra, embora houvesse já esboços, nomeadamente no Edmundo Bettencourt e até no Fernando Machado Soares. Portanto, em Coimbra, naquela altura, ninguém levou o Zeca muito a sério, embora alguns achassem que aquilo era interessante e que era preciso ser gravado. E quando o disco saiu foi um pouco um escândalo em Coimbra, precisamente porque na capa dizia “Dr. José Afonso: Baladas de Coimbra”. Então quase caiu a Torre, numa tal afronta à tradição.

Qual foi o momento de viragem na aceitação à música nova de Zeca Afonso?
Com o segundo disco, com “Os vampiros”, com o “Menino do Bairro Negro”, começaram os intelectuais de esquerda e os movimentos operários, sobretudo da margem Sul do Tejo, a convidá-lo, o que acontece também nos saraus das crises académicas, em sessões de canto, num claro apoio da esquerda. E nessa altura fomos imediatamente conotados com uma canção de combate, eu passei a sentir a minha viola como uma arma, uma força de combate.

E Coimbra, entretanto?
Coimbra ignorou completamente Zeca Afonso. Também porque, na altura, era a direita que dominava a Associação Académica. Só quando a esquerda ganhou a AAC e começou a fazer os seus saraus é que Zeca começou a vir a Coimbra, o que aconteceu muito pouco. Eu lembro-me de tocar com ele uma vez num sarau no Teatro Avenida e outra vez no ginásio [actual cantina dos grelhados] do Jardim da AAC [momento que a foto da página 2 documenta].

E a sua percepção da importância que tudo aquilo tinha?
Isso apenas aconteceu um ano ou dois depois de eu acompanhar o Zeca. Só então percebi a importância do canto do Zeca e da minha própria contribuição para ele. Porque o que aconteceu foi mostrar um novo modelo de acompanhamento, um instrumento muito discreto que serve quase só para sublinhar o poema.

Porque o que se queria dizer é que era importante?
Exactamente. E essa não era a prática dos acompanhantes, à guitarra e à viola, na altura. E eu, de uma maneira muito intuitiva, consegui responder a esse desafio que acabou por ser pioneiro num modelo de acompanhamento. Paralelamente a tudo isto, o Zeca foi também para mim um educador. O Zeca era um homem diferente, com um sentido de humor extraordinário, as suas histórias, as suas distracções patológicas, com uma preocupação sincera para que os seus amigos evoluíssem, ele trazia livros, emprestava-os, discos. Por isso também, o Zeca contribuiu muito para a minha formação cultural e política, embora o meu pai e o meu avô já fossem homens de esquerda.



"José Afonso foi o bandeirante

de uma grande aventura”



O que é que Portugal deve a Zeca Afonso?
Deve muito. O Zeca foi o homem que contribuiu decisivamente – e não tem outro a par dele – para uma revolução cultural naquilo que era a música portuguesa. E isto é reconhecido por toda a gente. Não há nenhum músico, nenhum grande cantor, nenhum grande poeta cujo despertar para uma nova música, para uma nova canção, não tenha partido do Zeca, que foi o grande ousado, o que deu o primeiro passo. Ele é que foi o bandeirante desta grande aventura. Havia muitos – que depois nós fomos conhecendo – que vieram a assumir-se naquela linha de inovação, mas apenas depois do Zeca o ter feito. Havia um caminho que não tinha sido ainda desbravado. E foi o Zeca quem o fez e quem conduziu muitos dos que fazem hoje uma página fundamental da história da música portuguesa.

E em que é que devemos guardar José Afonso?
Eu tenho dito muitas vezes e vou continuar a dizê-lo. A grande homenagem que se pode prestar a José Afonso é não deixar que a sua obra morra. E a intemporalidade dos seus poemas e das suas músicas tem-se demonstrado até com a adesão de muitos jovens músicos. A melhor homenagem é continuar a cantar com o Zeca. Que os nossos filhos e que os nossos netos continuem a conhecer a sua obra e continuem a cantar “venham mais cinco”. O pior que pode acontecer a um artista é deixar cair a sua obra no esquecimento. E nós, com o Zeca, corremos esse risco aqui há uns anos. Houve uma altura em que ele passou por cantor maldito, de novo, porque já tinha acontecido no tempo do fascismo. Mas depois, mesmo após o 25 de Abril, houve de novo esse estigma, depois a sua doença, toda essa situação fez com que ele tivesse passado um pouco por uma fase de Lua nova, não se via, mas existia. Entretanto, os músicos de Lisboa organizaram aquele belo momento de reabilitação, com o lançamento de um disco em que variadíssimos artistas cantaram músicas do Zeca. Agora, quer sejam portugueses, quer sejam espanhóis, há muita gente a cantar Zeca Afonso. E essa é que é a grande homenagem que se lhe pode e deve fazer, independentemente de tudo o que possa fazer-se em sua memória, como o programa que está agora a acontecer em Coimbra.

E Coimbra estará, para sempre, ligada a José Afonso?
Sem dúvida. E o Zeca, embora tivesse havido um tempo em que teve dificuldade em o reconhecer, mais tarde acabou por reconhecê-lo e voltar um pouco às suas origens. Sobretudo com o lançamento daquele disco de fados de Coimbra. Aquilo foi quase o tentar fazer as pazes com uma altura em que ele tentou demarcar-se de Coimbra e do que por cá se fazia. Embora ele tenha sido sempre muito crítico e tenha feito a sua crítica à cidade com uma ironia muito própria, muito dele, a esta Coimbra que andava toda à volta da Torre, à volta de uma espécie de aristocracia universitária, muito provinciana. Mas, de facto, foi em Coimbra que José Afonso nasceu como cantor, foi aqui que apendeu muito, também com o seu contacto com os futricas da cidade, com a Alta, com a Baixa. Quando falávamos com ele, a conversa acabava sempre no Mário do café tal, no tipo que vendia cautelas na Baixa, no sapateiro da rua x... Ele tinha um repositório extraordinário de figuras de Coimbra, da Coimbra de sempre e adorava recordá-las e revivê-las.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Versão de "Grândola" na Casa do Povo da Longra, Felgueiras.

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Versão de "Grândola, Vila Morena"

Eis um pequeno excerto do espectáculo inaugural das comemorações do 70.º aniversário da Casa do Povo da Longra, em Felgueiras, associação que subscreveu e aderiu o projecto "80 Anos de Zeca", iniciativa recentemente promovida e que se prolonga até 1 de Agosto de 2010.

As ditas comemorações da Casa do Povo da Longra realizaram-se de 24 a 26 de Abril passado, cujo programa incidiu muito sobre a temática do 25 de Abril de 74. No segundo dia, foi realizado, na sua Sala de Espectáculos, o "Canto de Intervenção", levado a efeito por membros da AJA Norte.

No primeira dia, 24 de Abril, a sessão intitulada "Era Uma Vez... o 25 de Abril (de 74)", terminou com a actuação de Hélder Bento e Ângela Silva (da Escola ArtMusic, da Lixa), que interpretaram a "Grândola, Vila Morena".

sábado, 22 de agosto de 2009

Um Bom Pastor (testemunhos)

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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

"Só quero ter o meu tamanho real"

Entrevista de José Afonso à revista "Vida Mundial",
Ano 34, nº 1749, de 1972(in Página da AJA, "Eu dizia")

Clique nas imagens para as ampliar. Se preferir,
imprima-as para o seu arquivo pessoal.











Para José Afonso

O canto que se erguia

na tua voz de vento

era de sangue e oiro

e um astro insubmisso

que era menino e homem

fulgurava nas águas

entre fogos silvestres.

Cantavas para todos

os acordes da terra,

os obscuros gritos

e os delírios e as fúrias

de uma revolta justa

contra eternos vampiros.

Que imensa a aventura

da luz por entre as sombras!

A vida convertia-se

num rio incandescente

e num prodígio branco

o canto sobre os barcos!

E o desejo tão fundo

centrava-se num ponto

em que atingia o uno

e a claridade intacta.

O canto era carícia

para uma ferida extrema

que era de todos nós

na angústia insustentável.

Mas ressurgia dela

a mais fina energia

ressuscitando o ser

em plenitude de água

e de um fogo amoroso.

É já manhã cantor

e o teu canto não cessa

onde não há a morte

e o coração começa.



António Ramos Rosa

Papuça

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Vozes amigas que nos vão chegando...

"Sou Carlos Mendes cantor de profissão (…). Tendo conhecido o Zeca e tendo por ele um carinho muito especial, estarei ao vosso dispor naquilo que necessitarem. Acontece que tenho um espectáculo simples, piano e voz, sobre as canções do Zeca. Um abraço e felicito-vos pela iniciativa".
Carlos Mendes

"(…) Parabéns pelo trabalho de conhecemento e divulgação da súa obra que continúa a ter plena vigencia pois infelizmente os ventos não mudaram muito e os mundos são bem opressivos e injustos. Como dizía nos seus sonetos o meu muito admirado Antero de Quental “Agora, como então, na mesma terra erma, a mesma humanidade é sempre a mesma enferma...” Embora é da coragem, da luta destes lúcidos, poetas, cantores e sonhadores que temos de manter a memoria e continuar na luta da vida, é o que faz falta!Tentarei participar em qualquer evento do programa e levar mais algúm amig@ também...
Um fraternal abraço desde a Galiza"
Ana Filgueiras Rei


"Olá, tudo bem? Muito boa essa iniciativa de 80 anos de Zeca. Tomo nota com interesse das informações que me enviades e espero contruibuir em algumas das atividades que consideredes oportuno e também se poderia pensar em realizar alguma atividade em alguma câmara do sul da Galiza (…)"
Francisco Peña Vilhar (Xico de Carinho)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Zeca para os mais novos




Têm todo(a)s razão quando se diz que a obra (poética e musical) de José Afonso não pode ficar, apenas, pelo conhecimento e "consumo", algo nostálgico e revivalista,da gente da sua geração.
O projecto "80 ANOS DE ZECA" tem essa preocupação: divulgar a obra do Zeca junto de TODAS as pessoas, em TODOS os lugares com especial incidência nas camadas mais jovens.
"De pequenino é que se torce o pepino" e, de facto, existem hoje obras que podem ajudar pais, professores, amigos a mostrar aos mais novos que se pode aprender...com José Afonso!
Sem ser preciso "torcer" nada nem ninguém aqui ficam três exemplos:


(RE) VIVER ABRIL COM ZECA AFONSO - PARA UMA DIDÁCTICA DE UNIDADE
Edição da responsabilidade do Sindicato dos Professores do Norte datada de 1994. Foi escrita por Margarida Marinho, Iracema Santos Clara e Isabel Baptista. Inclui textos para professores, alunos, sugestões de actividades, fichas de documentação e bibliografia.


ZECA AFONSO E A MALTA DAS CANTIGAS de José Jorge Letria, 2002, Editora "Terramar"
O autor cumpre uma "promessa", neste livro que dedica aos seus filhos e aos filhos dos homens e mulheres da sua geração :"Disse que um dia vos contaria uma história que aconteceu antes de vocês nascerem, num tempo muito difícil e incerto".


ESCRITAS DO MAIO - ESCREVER COM JOSÉ AFONSO, de Miguel Gouveia, 2007, Edição "Profedições"
Baseado no princípio de estímulo à "escrita criativa" este "manual" propõe as músicas, as histórias, a poesia de José Afonso como forma de se descobrir a amizade, a cidadania, a vida.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

José Afonso e Outros Poetas

Na obra de José Afonso está ainda em aberto uma análise profunda e sistemática da componente poética, sobretudo da poesia do próprio cantor. Ao contrário da criação musical, em que José Afonso só raramente recorreu à colaboração de outros compositores (exceptuando, naturalmente, o reportório de fados de Coimbra e de canções populares), o cantor musicou um número considerável de textos de alguns dos mais importantes poetas portugueses.
Na realidade, dos 125 títulos da colectânea Movieplay (12 CD's), 54 deles têm poesia de outras autorias: fados de Coimbra (14), canções populares (20) e outras canções (20); isto é, 43.2% do conjunto da obra.

Fados de Coimbra (14 títulos -11,2%) – Ângelo Araújo, António Menano (2), António Nobre, Carlos Figueiredo, Edmundo Bettencourt (4), Felisberto Ferreirinha, Fortunato Fonseca, Mário Faria Fonseca, Paulo de Sá e Tavares de Meio.

Canções populares (20 tÍtulos - 16%) - Beira­Baixa (5), Açores (3), Trás-os-Montes, Beira-Alta, Galiza e outros temas não referenciados (9).

Outras canções (20 títulos - 16%) - Aires Nunes (trovas do Séc.XIII, António Quadros (pintor) (3), Barnabé João (pseudónimo de António Quadros (pintor)), Bertolt Brecht / Luís Francisco Rebello (4), Fernando Miguel Bernardes, Fernando Pessoa, Hélder Costa, Jorge de Sena, José Carlos Ary dos Santos, Lope de Vega/ Natália Correia, Luís de Andrade (Pignatelli), Luís de Camões (2), Nicolau Tolentino e Reinaldo Ferreira.

(Texto de José Niza inserto na página da AJA)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sabemos bem que se trata de gente boa


Mas vejam só:
Manuel Freire,
Benedicto,
Francisco Fanhais,
José Jorge Letria e
José Afonso.





E aqui:
Carlos Paredes,
Adriano Correia de Oliveira,
José Afonso

e o cineasta José Fonseca e Costa.

domingo, 16 de agosto de 2009

Último concerto do Zeca







Livre-trânsito de José Afonso no seu último concerto - Coliseu do Porto, 25 de Maio de 1983 ( foto "roubada" à exposição "O Que Faz Falta" organizada por Avelino Tavares / "mc"-Mundo da Canção".






Foto desse concerto ( autor: Carlos Feixa)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

AS PALAVRAS

As palavras armazenam-se como torrões maduros
São flexíveis à memória são marinheiros em terra
Acontece dizer: levantem-se e caminhem
Mas quem somos e que hábito envergamos?
As palavras entontecem
Quando dispersas levantam rumos vários

José Afonso


(Panfleto editado nos 150 anos da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto. (in "Textos e Canções",1º edição de JH Santos Barros e 3ª edição de Elfriede Engelmayer, Outubro de 2000)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Adriano e Zeca...

De férias, algures...
Nestes 80 anos de Zeca...alí está o Adriano!
Porque ninguém é feliz sozinho!

Embora não seja crime "roubar" coisas destas..."o seu a seu dono".
De quem é esta foto? "Acuse-se" o autor!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

...Ontem ... foi assim....






...Ontem ... foi assim.... no "Império da Girafa" ali para os lados do rio com uma "girafona" e duas " girafinhas" a fazerem as honras da casa.
No palco, um cartaz misturando a simbologia do projecto "80 Anos de Zeca" com uma fotografia de José Afonso numa manifestação em Londres aquando da greve de fome do irlandês Bobby Sands que morreu ao fim de sessenta e tal dias.
Ainda no palco, o "Quarteto Vintage" que levou os seus clarinetes a passearem pelo tango, pelo fado e pela música de José Afonso.
Aconteceu a festa e celebrou-se a vida!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Concerto de Quarteto Vintage no Império da Girafa



Há figuras que marcam a história de um país. Há figuras que ultrapassam fronteiras e que marcam mais.

Tanto mais, quanto mais vão sendo conhecidas, as suas vidas e obras.

Quantos artistas apenas ganharam projecção mundial ... muito tarde.

Há países que prezam, se orgulham e distinguem os seus maiores. Uns mais do que outros.

Em dois de Agosto de mil novecentos e vinte e nove, nascia José Afonso. Estamos a comemorar o seu octogésimo aniversário.

Muitos quererão aproveitar esta data para celebrar a vida e obra de José Afonso e brevemente poderemos divulgar mais, mas ora não nos compete.

O Império da Girafa, é um dos muitos a celebrar esta data.

É neste contexto que vos queremos falar do concerto com que o QUARTETO VINTAGE nos honrará.

É com sincera satisfação, que podemos anunciar, que no próximo dia 8 de Agosto, no pequeno palco do Império da Girafa, poderemos ouvir "TRIBUTO A ZECA" e outros temas, num momento artístico de grande qualidade, com a presença de Iva Barbosa, João Moreira, José Eduardo Gomes, Ricardo Alves, e para ser quarteto +1, eventualmente também Luís Oliveira. Nessa noite também estará connosco Vitor Faria, compositor e responsável pelo arranjo, que resultou no "Tributo a Zeca".

Para algumas sensibilidades será arrepiante ouvir nascer ... começar a distinguir musicalmente, "lá do meio" das notas e acordes ... as melodias inconfundíveis e marcadas nos nossos imaginários, como "A morte saíu à rua", "Venham mais cinco", "Filhos da madrugada" e mais.

Repito, para alguns será arrepiante revisitar os temas, que de imediato evocam o verso por desventura tão actual, vindo dos confins dos tempos negros.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Banca permanente no CLP



O CLP – Clube Literário do Porto (clubeliterariodoporto@gmail.com ) foi a primeira das 44 entidades que até agora subscreveram o manifesto “80 ANOS DE ZECA” a realizar uma iniciativa enquadrada neste projecto.




Entre 2 de Agosto de 2009 e 1 de Agosto de 2010 estará patente na sua montra uma exposição/venda de materiais alusivos a José Afonso e a outros homens e mulheres que com ele fizeram percursos ou que, hoje, cantam e tocam a sua música.Passem pela Rua da Alfândega espreitem pelo vidro…e entrem!

domingo, 2 de agosto de 2009

Manifesto

I

Aveiro, 2 de Agosto de 1929.
Nascia para o mundo o ser humano, o poeta, o cantor andarilho, o cidadão.
Na sua vida atribulada de “torna –viagem”, Belmonte, Angola, Moçambique, Coimbra, Algarve, sentem-lhe os cheiros.
A Galiza dá-lhe guarida até acostar em Setúbal.
Nessa sua vida de saltimbanco nascem ousadias em todos os lugares sem nome nos dias que se iam fazendo à medida do crescimento de uma vida inundada pelas derivas da inquietação.
O “triângulo mágico” do seu quotidiano de décadas – Portugal, África, Galiza – molda o seu imaginário, aponta os sentidos da sua presença, das suas causas, dos afectos que o foram construindo.
José Afonso, no solitário fado das águias, num mar largo de incertezas, foi aprendendo a recusar enquanto crescia, o coro dos caídos nos lagos de breu para, com as suas tamanquinhas, ir cantando que nem as montanhas… poderiam impor tectos à liberdade.
Nos tempos em que a morte saía à rua por tudo e por nada, José Afonso procurava encontrar nas esquinas da vida uma qualquer janela por onde espreitar à espera de tudo quanto é doce, na busca de tudo que o fizesse apressar o amanhã.
Nas cantilenas da paciência, com a sua verdade e a mentira do que era anunciado, foi ajudando a vencer o medo tendo na proa do barco os remos da utopia a que os tempos não nos habituavam.

II

Por isso, estes 80 anos de caminho representam o gozo de continuar a ter o Zeca dos “óculos grandes”, distraído, esquecido e de cabelo desgrenhado no seio da comunidade humana, com sua arte, com seu exemplo cívico, com palavras e sonhos que continuam, de forma simples, a lançar-nos permanentes desafios.
Porque, na verdade, 23 de Fevereiro de 1987 e uma campa rasa num cemitério de Setúbal não representam rigorosamente nada para a memória de um amor que não se engana quando se sabe o que faz falta.
Na tradição cultural de quem rejeita a desistência e o esquecimento as entidades subscritoras deste manifesto querem celebrar José Afonso e com ele fazer ouvir o brado da terra, mesmo quando sussurrado ao longe, por um menino de um qualquer bairro negro.
Nós, homens e mulheres, envolvidos em actividades multidisciplinares de carácter associativo queremos falar da alegria de ter no nosso seio, há 80 anos, José Afonso, sabendo que, mesmo que se voara mais ao perto nem por isso estaria mais junto a todos nós.

III

Entre 2 de Agosto de 2009 e 1 de Agosto de 2010 – nestes “80 ANOS DE ZECA” – queremos dançar, fazer teatro, cantar, dizer palavras, ver, pintar, tomar conta da rua, dar azo à libertinagem do agora. Porque o “senhor poeta” não merece que sejamos pais incógnitos de contos velhinhos que nos induzam a deixarmo-nos embalar no mundo surreal do “faz de conta”.
Para nós, estes “80 ANOS DE ZECA serão o porto de abrigo onde poderão e deverão chegar, em qualquer altura, todos os amigos que queiram vir por bem, porque todos juntos haveremos de ser muito mais que alguém.
Olhem as estrelas e deliciem-se: as grândolas de todos os dias nunca serão um redondo vocábulo enquanto houver força para a alegria da criação.

Porto, 1 de Agosto 2009.

Projectos a desenvolver durante o ano

1 - PROJECTOS JÁ INICIADOS E A DESENVOLVER DURANTE O ANO 2009/2010

1 de Agosto – inauguração pelas 12h 30m, da “banca do Zeca” com diversos materiais alusivos à sua obra, que permanecerá até 1 de Agosto de 2010 na instalações do “Clube Literário do Porto”,

Todas as 5ª, 6ª e sábados, e até Agosto de 2010, a “Cadeira de Van Gogh” promoverá a rubrica “5 minutos de Zeca” na sede da sua Associação,

8 de Agosto – concerto de apresentação do disco do “Quarteto Vintage” nas instalações do “Império da Girafa”,

10 de Setembro – sessão de poesia na rua, no “Clube Literário do Porto”,

Setembro – início de atelier de voz para jovens actores orientado por Guilhermino Monteiro, com base na obra de José Afonso, a decorrer no Teatro Constantino Nery, em Matosinhos,

Setembro – “Escola da Ponte” (Vila das Aves) – início de discussão em conjunto com os alunos, sobre um trabalho em torno da obra de José Afonso,

2 de Outubro – projecção de filmes e documentários sobre obra de José Afonso no “Clube Literário do Porto”,

Dezembro – conferência sobre vida e obra de José Afonso a decorrer no “Clube Literário do Porto”,

Dezembro – lançamento de “flyer” electrónico criado pelo ”Império da Girafa”, desafiando jovens a trabalhar plasticamente a vida e obra de José Afonso,

23 de Janeiro – “CANTO DÉCIMO” – Clube Fenianos Portuenses,

27 de Março – Dia Mundial da Poesia - distribuição de poesia de José Afonso nas ruas no Porto pela “Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto”,

29 de Março – recriação do concerto de 29 de Março de 1974 no Coliseu dos Recreios, Lisboa, onde surgiu a ideia da “senha” do 25 de Abril de 1974 - “Grândola, Vila Morena”,

Abril – “Associação 25 de Abril” e o “Núcleo do Norte da Associação José Afonso” colaborarão em parceria nos debates e conferências sobre o 25 de Abril,

15 de Abril – “Poesia de Choque”, sessão de poesia mensal que decorrerá no CLP, da responsabilidade de Luís Carvalho e Pedro Ribeiro, sobre a obra de José Afonso,

Maio – “A Cadeira de Van Gogh” promoverá durante todo o mês uma exposição fotobiográfica de José Afonso e iniciativas diversas em torno do tema, num programa denominado “Maio, Maduro Maio”,

31 de Maio – “Quartas Malditas”, sessão de poesia mensal no CLP, coordenada por Anthero Monteiro, sobre a poesia de José Afonso,

30, 31 de Julho e 1 de Agosto – “fim de festa” em Guimarães, com uma retrospectiva do trabalho do ano e concertos.


2 – OUTROS

Durante o ano o Grupo Vocal “Canto Décimo” e a “Federação das Colectividades do Distrito do Porto” realizarão vários concertos do grupo em diversas colectividades de cultura e recreio do distrito,

Também durante o ano a “AJA Norte” e “Federação das Colectividades do Distrito do Porto” promoverão diversas iniciativas e tertúlias sobre José Afonso e apresentarão o projecto “O Canto de Intervenção” em várias associações do distrito,

A “Universidade Popular do Porto” realizará, em 2010, um Curso Livre sobre Música Popular, sob orientação de Jorge Ribeiro,

A “AJA Norte”, em colaboração com diversos bares do norte do país e vários “amigos do Zeca” promoverá noites de tertúlia, de música e poesia sobre o Zeca,

A “Federação das Colectividades do Distrito do Porto” incluirá um espaço para divulgação da obra de José Afonso no II Encontro Intercultural do Distrito,

A “Escola EB 2/3 de Valbom” desenvolverá actividades com os alunos tendo por base o livro de José Jorge Letria, com ilustrações de Evelina Oliveira, “Zeca Afonso, o Andarilho da Voz de Ouro”,

No festival de teatro “Fazer a Festa” em 2010, promovido pela companhia Art´ Imagem, será incluído o tema “José Afonso, vida e obra”,


3 - MAIS IDEIAS A CONCRETIZAR COM PARCERIAS ENTRE ENTIDADES ADERENTES

Desenvolvimento de iniciativas envolvendo artistas plásticos das mais diversas expressões em ateliês de arte,

Selecção de poemas de José Afonso e tradução para Mirandês,

Lançamento do livro de partituras da obra completa do Zeca, escrito por José Mário Branco, Octávio Fonseca, Guilhermino Monteiro e João Lóio,

Reconstituição de percursos do “Poeta Andarilho” pelo interior do país,

Debates sobre a obra literária de José Afonso,

- Conferências orientadas para estudantes de música, sobre a obra musical de José Afonso.

Será claro que todas as entidades que subscreveram este projecto, e outras que o venham a fazer, apresentarão oportunamente ideias para a concretização de iniciativas enquadráveis na sua esfera de acção.

Porto, 1 de Agosto de 2009