sábado, 31 de julho de 2010

Fim de Festa | 6ª feira | intervenção de abertura por Gabriela Marques

Boa noite a todos
Amigas e amigos de José Afonso


Antes de mais gostaria de deixar os nossos agradecimentos às seguintes entidades pelo seu apoio e participação nestes 3 dias de festa em Guimarães
OFICINA
Associação das Marchas Gualterianas
CICP
Gabinete de Imprensa de Guimarães
Museu Alberto Sampaio
Cineclube de Guimarães
Escola EB 2/3 Santos Simões


Cabe-me a mim a honra de abrir estes dias de festa do projecto 80 anos de Zeca e para tal começarei por fazer uma pequena contextualização do sentido do projecto, do caminho percorrido e deste fim de festa, que durará até 2ª feira, dia em que o Zeca faria 81 anos.

Este projecto nasceu de um sonho – nasceu mais precisamente daquele “sonho que comanda a vida”.
O Núcleo do Norte da Associação José Afonso sonhou um projecto para celebrar a vida, a obra e o exemplo cívico de José Afonso.

Mas não o quis, nem poderia, fazer sozinho.
Para tal, desafiou algumas dezenas de organizações a unirem-se num processo comum, onde todos pudessemos ter ideias e concretizá-las, onde todos pudessemos trabalhar livremente, de forma autónoma, fraterna e solidária.
De início, juntaram-se 30 organizações, que aceitaram e acarinharam esse sonho, assumiram-no e tornaram-no seu.
O trabalho foi ganhando corpo, entusiasmo e vitalidade, alargou-se a outros locais de norte a sul do país, foi abraçado também pela Galiza, e termina neste fim de semana com 91 entidades subscritoras.


Este projecto arrancou publicamente no dia 2 de Agosto de 2009, dia em que José Afonso faria 80 anos, prolongou-se por todo o ano, concretizando cerca de 90 iniciativas das mais diversas expressões - colóquios, debates, bancas de materiais, exposições documentais, de trabalhos de alunos das escolas, de artes plásticas, tertúlias, sessões de poesia, concertos, teatros, sessões de cinema, emissões de rádio, projectos colectivos como o enorme puzzle que ali temos exposto, pintado por alunos do ensino pré-primário e básico.
Aliás, uma parte marcante de todo este processo foi precisamente o trabalho que várias escolas desenvolveram com os seus alunos, apresentando-os ao Zeca e dando-lhes a conhecer o homem e a obra.


O Zeca é fruto do seu tempo - compreender verdadeiramente a sua obra implica conhecer o contexto económico, social e político que o moldou, e a impulsionou: os 48 anos de fascismo em Portugal, a prisão política, a tortura, o assassínio, a censura, a guerra colonial, a fome e a miséria,... mas também, o 25 de Abril, o MFA, a agitação social e cultural do PREC, as cooperativas, o trabalho colectivo, as campanhas de alfabetização, o 11 de Março... e o 25 de Novembro.... a entrada de Portugal na CEE e todas as convulsões que o Zeca e o mundo que o envolvia experimentaram.
Para compreender a sua obra, necessitamos de compreender o homem e a realidade que o lapidou.

Também nós somos fruto da realidade que nos envolve. E essa realidade inclui já a obra, a experiência de vida e o testemunho cívico de José Afonso que hoje celebramos.
Desenganem-se porém aqueles que pensem que ouvi-lo, cantá-lo ou celebrá-lo sejam actos de saudosismo, nostalgia ou passadismo. Esses não sabem nem sonham...

Não sabem nem sonham que celebra o Zeca quem tem sede do futuro.
Celebra o Zeca quem não perde nunca a esperança no Ser Humano e naquilo que ele é capaz de construir.
Celebra o Zeca aquele que, compreendendo e aprendendo com a experiência dos que nos precederam, projecta e luta por um mundo melhor, mais justo, mais solidário e mais fraterno. Celebra o Zeca aquele que teima em sonhar, o tal sonho que comanda a vida.

Aqui chegamos, ao fim de festa, e o nosso sonho já deixou de o ser – comandou a vida, e concretizou-se, transformou-se em realidade.

Este projecto tornou-se um pouco de todos os que se envolveram na criação, dinamização e animação de cada uma das suas iniciativas.
E nenhuma delas houve que cheirasse a resignação, comodismo ou apatia.
Pelo contrário, em todas elas esteve presente a denúncia da injustiça, a indignação perante pobreza, a fome, a guerra...
Em todas elas transmitimos a insubmissão perante todos os que nos tentam convencer que este é o fim da História.
Em todas elas encontrámos mais pessoas que também dizem “sim, é possível um mundo melhor”.
Em todas elas quisemos construir um cantinho de um mundo novo, sonhando que talvez ele se possa propagar.

E em todas elas se sentiu a presença dos cravos vermelhos de uma Primavera, que embora ainda apenas sonhada, pelas nossas mãos unidas, poderá um dia tornar-se vida.

Vamos celebrar a vida!

6 comentários:

Ligia disse...

Obrigada Gabi!
Por o sonho, por a esperança e por as palavras.
Beijos
lígia

Anónimo disse...

Assim se mantem a chama de uma utopia em que continuamos a acreditar. Obrigado Zeca por seres fonte desta união.
Adelino

chico da EMILINHA disse...

Continuando a ressaca BOA, de Guimarães, num Fim de Festa, que não acabará, com cada vez mais gente, que sinto e vejo gravitar á volta do QUERIDO ZECA, recordo com CARINHO momentos que se passaram, para além dos Sérios e emotivamente sentidos, mas que marcaram também o que foi e será sempre o ZECA.

Uma senhora, claramente com muitas Luas vividas, sentada prá aí desde as 18,30 h á frente do palco, na Praça na Praça da Oliveira. Intrigados pensava-mos que se teria enganado no concerto, esperaria talvez por outra coisa que não o ZECA; pelas 19,20 h, não resisti e fui ter com a SENHORA,
- Então vizinha, está á espera dos cantares ? Olhe que isto só começa ás 22 h !
- Eu sei menino, mas eu gosto e espero !
- Mas olhe que isto é malta a cantar ZECA AFONSO !
- Pois é, eu sei, enquanto tiver alma, tenho de vir, gosto muito sabe !
ERA A ANA DE 83 ANOS.
Mais uma emoção a juntar a tantas outras, fui comer; quando regressei, arranjei-lhe uma cadeira mais confortável, OUVIU, CANTOU, DANÇOU, no fim levei-a ao palco, cantamos todos a GRÂNDOLA.
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A determinada altura, chama-me o " SINHOR " a quem estava subordinado nos dias de FESTA, e diz-me :
- Ó chico anda cá, vais-me tratar, tratar, tratar, foda-se pá esqueci-me do que era........
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O mesmo fajardo, numa outra altura, estando por trás do palco, orientando a confusão, vira-se para a SINHORA que diria um poema, que além disso tentava ler mais umas coisinhas, mas o local era escuro:
- Porra não leio nada !
- Tira os óculos caralho ! Dizia o morcão.
- Eu não sou míope porra !
Dizia a desgraçada, que tem de aturar aquilo todos os dias,, É QUE ELE É QUE PARA LER AO PERTO, tira as gafas,,,
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HÁ MAIS,, HÁ,,, HÁ,,, MAS POR AGORA, POR AQUI ME FICO.

SE ISTO TAMBÉM NÃO SÃO BOCADINHOS DE ZECA QUE HÁ EM CADA UM DE NÓS,,,,

VOU ALI E JÁ VENHO.

chico da EMILINHA disse...

JÁ VIM,, MAS NÃO DEMORO.,
É SÓ MAIS UM BOCADINHO DE ZECA.

- ENTRA NO PALCO " AFONSO ",
A POESIA ESPALHA-SE PELA PRAÇA;
" AFONSO " ANUNCIA O PRÓXIMO INTERVENIENTE NO EVENTO; COM A EMOÇÃO NÃO RESISTE A JUNTAR DOIS EM UM:

- E AGORAAAAAAAA

TINO FREITAS

VEIO O FLORES

O DINO VIRIA MAIS TARDE.

SE ISTO NÃO É TAMBÉM ZECA,,, NUNCA MAIS CÁ VENHO

chico da EMILINHA disse...

NÃO SEI MESMO COMO ARRANJEI ISTO, MAS A VERDADE É QUE ACONTECEU, O QUE MUITO PROVÁVELMENTE, SÓ BEM PROVAR QUE HÁ VIDA PARA ALÉM DA MORTE, MAS TÁBÉM.

UMA VOZ DENTRO DO PEITO,

RECLAMA E NÃO ACEITA ELOGIOS,

GRITA-ME MESMO:

- Ó MALTA SE ACREDITAM E SE SEMTEM BEM COM O QUE EU FUI, ESCREVI E CANTEI, NUNCA MAIS MORREREI -

ESTOU CONFUSO,
MAS PENSO QUE ERA

O ZECA

Anónimo disse...
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