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domingo, 2 de agosto de 2009

Manifesto

I

Aveiro, 2 de Agosto de 1929.
Nascia para o mundo o ser humano, o poeta, o cantor andarilho, o cidadão.
Na sua vida atribulada de “torna –viagem”, Belmonte, Angola, Moçambique, Coimbra, Algarve, sentem-lhe os cheiros.
A Galiza dá-lhe guarida até acostar em Setúbal.
Nessa sua vida de saltimbanco nascem ousadias em todos os lugares sem nome nos dias que se iam fazendo à medida do crescimento de uma vida inundada pelas derivas da inquietação.
O “triângulo mágico” do seu quotidiano de décadas – Portugal, África, Galiza – molda o seu imaginário, aponta os sentidos da sua presença, das suas causas, dos afectos que o foram construindo.
José Afonso, no solitário fado das águias, num mar largo de incertezas, foi aprendendo a recusar enquanto crescia, o coro dos caídos nos lagos de breu para, com as suas tamanquinhas, ir cantando que nem as montanhas… poderiam impor tectos à liberdade.
Nos tempos em que a morte saía à rua por tudo e por nada, José Afonso procurava encontrar nas esquinas da vida uma qualquer janela por onde espreitar à espera de tudo quanto é doce, na busca de tudo que o fizesse apressar o amanhã.
Nas cantilenas da paciência, com a sua verdade e a mentira do que era anunciado, foi ajudando a vencer o medo tendo na proa do barco os remos da utopia a que os tempos não nos habituavam.

II

Por isso, estes 80 anos de caminho representam o gozo de continuar a ter o Zeca dos “óculos grandes”, distraído, esquecido e de cabelo desgrenhado no seio da comunidade humana, com sua arte, com seu exemplo cívico, com palavras e sonhos que continuam, de forma simples, a lançar-nos permanentes desafios.
Porque, na verdade, 23 de Fevereiro de 1987 e uma campa rasa num cemitério de Setúbal não representam rigorosamente nada para a memória de um amor que não se engana quando se sabe o que faz falta.
Na tradição cultural de quem rejeita a desistência e o esquecimento as entidades subscritoras deste manifesto querem celebrar José Afonso e com ele fazer ouvir o brado da terra, mesmo quando sussurrado ao longe, por um menino de um qualquer bairro negro.
Nós, homens e mulheres, envolvidos em actividades multidisciplinares de carácter associativo queremos falar da alegria de ter no nosso seio, há 80 anos, José Afonso, sabendo que, mesmo que se voara mais ao perto nem por isso estaria mais junto a todos nós.

III

Entre 2 de Agosto de 2009 e 1 de Agosto de 2010 – nestes “80 ANOS DE ZECA” – queremos dançar, fazer teatro, cantar, dizer palavras, ver, pintar, tomar conta da rua, dar azo à libertinagem do agora. Porque o “senhor poeta” não merece que sejamos pais incógnitos de contos velhinhos que nos induzam a deixarmo-nos embalar no mundo surreal do “faz de conta”.
Para nós, estes “80 ANOS DE ZECA serão o porto de abrigo onde poderão e deverão chegar, em qualquer altura, todos os amigos que queiram vir por bem, porque todos juntos haveremos de ser muito mais que alguém.
Olhem as estrelas e deliciem-se: as grândolas de todos os dias nunca serão um redondo vocábulo enquanto houver força para a alegria da criação.

Porto, 1 de Agosto 2009.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Convite - 80 Anos de Zeca

Porto, 29 de Maio de 2009

Assunto: convite para reunião sobre realização de um ciclo de iniciativas comemorativas do 80º aniversário do nascimento de José Afonso

Cara (o) s Amiga (o)s,
José Afonso, o “Zeca andarilho, poeta e cantor”, nasceu a 2 de Agosto de 1929. A Associação José Afonso, constituída em Novembro de 1987, considera que celebrar o “Zeca” será falar de uma vida, de uma obra e de um exemplo de cidadania. Por isso, o Núcleo do Norte da AJA pretende encetar a realização de uma série de iniciativas de carácter multidisciplinar, em todos os sectores da arte, da literatura, do debate de ideias e de outras áreas de trabalho e expressão, a decorrer entre Agosto de 2009 e Agosto de 2010, em estreita colaboração com outros colectivos, e sempre em torno do tema “80 anos de Zeca”.
Com estas iniciativas, cremos ser possível mobilizar grandes sectores da população, essencialmente a norte do País e talvez Galiza, alargando e aprofundando o conhecimento sobre um homem que marcou, e continua a marcar, a cultura e a sociedade, portuguesa e universal.
Porque é nosso objectivo, que esta tarefa implique o envolvimento de múltiplas entidades e colectivos, gostaríamos de discutir convosco esta ideia, no sentido da realização de um ciclo de iniciativas comemorativas do 80º aniversário do nascimento de José Afonso, marcadas pela criatividade, inovação, liberdade e multiplicidade de opiniões.
Tendo já algumas concepções alinhavadas, mas nenhuma proposta acabada, gostaríamos antes que todas as entidades convidadas tivessem a abertura total para apresentar novas ideias e juntos pudéssemos delinear um projecto colectivo em formatos variados – criando parcerias entre a AJA Norte e outras organizações/entidades/grupos; criando parcerias entre as organizações/entidades/grupos convidadas; ou simplesmente com iniciativas próprias de cada organização/entidade/grupo.
Para o efeito, assumimos o privilégio de vos desafiar a participarem numa reunião para dar início ao debate em torno do que poderá vir a ser este projecto que terá lugar na sede da AJAnorte – Rua do Bonjardim nº 635, 1º Traseiras, às 21h30m, 2ª Feira, dia 8 de Junho.
Nessa reunião não pretendemos apresentar qualquer proposta acabada para estas iniciativas, porque entendemos que o “comboio deve ser posto em andamento”, ao mesmo tempo, por todos os que nele queiram tomar assento. Para promover esta discussão diversificada, convidamos um conjunto de pessoas colectivas das áreas da dança, teatro, cinema, artes plásticas, música, literatura, e de outras áreas.
Seguros de que todas as contribuições são importantes para o lançamento deste projecto, ficamos a aguardar a confirmação da vossa participação até ao dia 5 de Junho, por e-mail (ajanorte@gmail.com) ou telefone (927890673).

Contando com o vosso solidário empenho para o lançamento deste projecto,
Pela AJA norte
Ana Afonso
Gabriela Marques
Paulo Esperança



NOTA: sem qualquer critério exclusivista – entendemos por bem convidar as seguintes entidades para esse encontro, tendo em conta que muitas delas têm sido “companheiras de estrada” da AJA norte:
ABC Bar; Academia Contemporânea do Espectáculo; AE Soares dos Reis; AEFBAUP; Agorarte; Art`Imagem; Árvore – Cooperativa de Actividades Artísticas; Associação 25 de Abril; Associação Jornalistas e Homens de Letras do Porto; Associação Recreativa e Cultural do Carvalhal; Ateneu Comercial do Porto; Ballet Teatro; Cadeira de Van Gogh; Canto Décimo; Canto Nono; Casa do Povo da Longra; Casa Viva; Cineclube de Avanca; Cineclube de Guimarães; Cineclube do Porto; Círculo de Arte e Recreio; Clube Literário do Porto; Coral de Letras da Universidade do Porto; Coral do ICBAS; Escola da Ponte; Escola EB 2/3 de Canidelo; Escola Soares dos Reis; ESMAE; Federação das Colectividades do Distrito do Porto; Frei Fado D`El-Rey; Fundação José Rodrigues; Gato Vadio; Gesto; Ginesiano; Mi Allegro; Mundo da Canção; NEC – Núcleo de Experimentação Coreográfica; Núcleo de Audiovisuais da Un. Católica; Panmixia; Pé de Vento; Pé na Terra; Pedra Nova; Pinguim; Pintar o Sete; Púcaros Bar; Quarteto Vintage; Ritus; SINAPSA; Sindicato dos Professores do Norte; Steel Drumming; Svbvra; Teatro Construção; Teatro do Frio; União dos Sindicatos do Porto; UNICEPE; UPP - Universidade Popular do Porto; Velha-a-Branca