Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Viriato Teles apresenta no Porto "As Voltas de um Andarilho"


Depois de Lisboa, Viriato Teles, vai estar no próximo dia 5 de Dezembro na cidade do Porto, para apresentar a reedição do livro "As Voltas de um Andarilho - Fragmentos da vida e obra de José Afonso" (Assírio & Alvim, 2009). O médico e guitarrista Rui Pato, que foi o principal e mais regular acompanhante de José Afonso nos anos 60, estará presente nesta apresentação. O Portugal Rebelde esteve recentemente à conversa com Viriato Teles e revela-lhe agora em "Discurso Directo" algumas das razões da edição de "As Voltas de um Andarilho".

Leiam aqui a entrevista

Sábado, 14 de Novembro de 2009

Encontro - Projecto "80 Anos de Zeca"

Tendo em conta que este é um projecto dinâmico ("80 Anos de Zeca") sempre aberto à PARTICIPAÇÃO de quem nele se queira integrar realiza-se no próximo dia 17 de Novembro, 3ª feira, às 21h 30, na Associação Cultural "A CADEIRA DE VAN GOGH", situada na Rua Morgado Mateus , n.º 41 (próximo do Campo 24 de Agosto em direcção à Praça dos Poveiros), no Porto, mais um encontro de subscritores do PROJECTO " 80 ANOS DE ZECA".
ABERTO A QUEM NELE QUEIRA PARTICIPAR.
APAREÇAM!

"É redutor dizer que o Zeca se resume a um cantor de intervenção" - diz Sérgio Godinho

Concluimps, hoje, a inclusão de uma série de seis vídeos - dois de cada vez - de um programa da RTP 2 sobre Zeca Afonso, passado em 2008, n' "As Noites da 2" e com o título específico "Especial Zeca Afonso".

Hoje incluimos os dois últimos vídeos.

Como já dissemos, trata-se de um trabalho bem realizado, em que ficam registos e depoimentos sobre a vida e a obra de uma figura tão fascinante como era (e é!) o nosso Zeca.

Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

"80 Anos de Zeca" em Mafamude na passada 6.ª feira




"80 Anos de Zeca" no Pedra Nova (Porto) no passado sábado






José Afonso




por vezes um herói faz-se a cantar
no espanto doce e leve
de iluminar a cidade
e recordar tempo à vida
em acordes de esperança

por vezes ele é a dança
é a razão encantada
de uma balada que abala
o torpor em contradança

por vezes ele é sorriso
ironia que desarma
o medo de arma em riste
sorriso que faz o triste
ser alegre de coragem

é a flauta encantada
é nau de outra viagem
que traz ao povo a alegria
de cantar em romaria
com bandeiras desfraldadas

bandeiras da paz - do pão
e do nome que ele tem
que um povo sem ter nome
pode bem morrer à fome
e há-de chamar-se Ninguém

cântico a Catarina
suor e sangue num grito
menina que o medo mata
e que o vermelho desata
nas papoilas da campina

ou lagos de breu no céu
bairro negro do menino
com olhos de estrela de alva
deixai-o que é pequenino

Zeca amigo está contigo
um povo desperdiçado
que se perde em triste fado
mas colhe em tua voz abrigo

seja a voz de quem trabalha
no som ritmado dos passos contra vampiros de palha
nascente em vila morena
que entre nós criou laços de saber quem mais ordena
de saber que vale a pena entrelaçar nossos braços
fazer da vida um poema
dourado em Maio maduro
dentro de um coração puro
cheio de vida para dar

... que por vezes um herói
também se faz a cantar.

- in Poemas de Menagem , de Jorge Castro


Nota dos editores do blogue:
Por razões técnicas, não nos foi possível manter o aspecto gráfico conforme o seu autor idealizou, pelo que pedimos a melhor compreensão dos leitores. Mesmo assim, colocamos em imagem digitalizada o poema escrito em papel, cujo aspecto revela as intenções estéticas do poeta quanto ao seu texto.

Sábado, 7 de Novembro de 2009

Dançando Zeca | 10 a 28 de Novembro

Cartaz da autoria de Pedro Silva

Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Despedida de Zeca Afonso aconteceu no Coliseu do Porto há 26 anos | Texto de Nuno Corvacho

Foto de Carlos Feixa
Último concerto de Zeca
Coliseu do Porto, 25 de Maio de 1983


Muito se fala sobre o concerto que Zeca Afonso realizou em Janeiro de 1983, no Coliseu dos Recreios, e do qual a RTP fez uma gravação vídeo que é habitualmente recuperada na altura das comemorações do 25 de Abril, mas poucos decerto saberão que o cantor viria a actuar uns meses mais tarde, no Porto, naquela que seria, de facto, a sua despedida dos palcos. Sabe-se que, nesse mesmo ano, Zeca Afonso ainda deu a cara em alguns eventos informais em Coimbra (esse facto é, de resto, mencionado por Irene Flunser Pimentel na fotobiografia do cantor recentemente editada), de que chegou até a ser gravado um disco pirata. Mas o último grande concerto foi, sem dúvida, o do Coliseu do Porto, que aconteceu a 25 de Maio de 1983 perante uma sala esgotadíssima desde há cerca de dois meses.
Avelino Tavares, promotor musical da Mundo da Canção, foi a “alma mater” do evento e não tem dúvidas de que, depois disso, não mais Zeca Afonso voltou a apresentar-se em público. “Lembro-me até de, no dia seguinte ao concerto, ter ido levar o José Afonso e a Zélia [mulher dele] à estação de Campanhã porque ele ia a Coimbra receber a medalha de honra da cidade. E, na melhor das hipóteses, o que terá havido é uma festa de estudantes em que se terão cantado uns fados”, recorda.
Para o concerto do Porto, e por exigência do cantor, todos os bilhetes foram postos à venda ao mesmo preço: 500 escudos. A procura foi enorme, a ponto, de, na altura, ter crescido o boato infundado de que haveria ingressos a serem “vendidos à mesa do café”.

“Algo de imperdível acontecera”

Durante o espectáculo, viveu-se no Coliseu uma “atmosfera emocional intensa”, que Tavares compara com a de Lisboa quatro meses antes: “Porventura com menos folclore, mas mais denso e sentido”. Paulo Esperança, que preside hoje ao Núcleo Regional do Norte da Associação José Afonso, também lá estava nessa noite única. Recorda-se de o concerto, que acabou por ser uma espécie de retrospectiva da carreira do can-tor, ter terminado com a “Grândola Vila Morena” e de, já na rua, as pessoas regressarem a entoar em coro canções do reportório de Zeca Afonso. “Nenhum de nós sabia se aquele viria a ser o último concerto. Mas todos tínhamos consciência de que algo de imperdível se passara”, conta Paulo Esperança. O cantor já estava bastante debilitado (eram já claros os sinais da doença neuro-degenerativa que viria a vitimá-lo, quatro anos depois), precisou de sentar-se com alguma frequência e, para alguns coros, contou com o apoio de Sérgio Mestre, um seu habitual cúmplice. E também lá estiveram dois amigos da canção coimbrã, mais uma prova, para Avelino Tavares, de que não houve nenhum concerto em Coimbra, “caso contrário eles nunca teriam vindo cá de propósito”.

Autógrafos frustrados

Aliás, foi o estado de saúde do cantor que levou, na altura, Avelino a travar algo que já planeara: “No dia 26, fomos almoçar a um restaurante na Ribeira, com o Fanhais e outros músicos, e eu levava um saco com os LP’s todos que eu tinha dele para me autografar. Eram muitos os discos que havia para assinar e, ao ver como ele já estava, acabei por desistir. Senti que tinha de ter respeito por ele”.
Avelino Tavares chegou a ver Zeca Afonso, ao vivo, na Escola Infante D. Henrique, ainda antes do 25 de Abril, e esteve presente, no lendário concerto realizado sob alta vigilância da PIDE e que reuniu vários cantores de intervenção no Coliseu de Lisboa, em Março de 1974, quando já se pressentia o apodrecimento definitivo do Estado Novo.
Mas foi na revista “Mundo da Canção”, de que foi director e cujo primeiro número saiu em Dezembro de 1969, que Avelino Tavares mais tentou promover José Afonso, publicando-lhes as letras, bem como as de outros cantores igualmente comprometidos. Foi dele a primeira capa a cores da MC, correspondente ao número 12 (Novembro de 1970). Mais tarde, o cantor viria de novo a surgir na capa da revista, precisamente em Fevereiro de 1975, na esteira do lançamento do álbum “Coro dos Tribunais”.
Depois de muitos meses a iludir a censura com páginas em que textos de conteúdo mais político dividiam espaço com “anúncios pirosos” a depilatórios e calças de terylene, a revista acabou mesmo por ser apreendida quando saiu o número 34, por causa da existência de um suplemento dedicado às novas músicas. Só depois da revolução Avelino Tavares viria a conseguir repor em circulação os malfadados exemplares. Uma aventura editorial que durou até Junho de 1985, sempre sob a aura inspiradora de José Afonso: “Nós vamos todos desaparecer, mas ele vai ficar”.

CORRECÇÃO: Paulo Esperança pertence à direcção da Associação José Afonso e é membro do seu “núcleo do norte”. Não é “presidente” de qualquer “núcleo regional”.

Terça-feira, 3 de Novembro de 2009


"Zeca sempre foi de uma modernidade surpreendente" - refere Sérgio Godinho


Prosseguimos, hoje, a inclusão de uma série de seis vídeos - dois de cada vez - de um programa da RTP 2 sobre Zeca Afonso, passado em 2008, n' "As Noites da 2" e com o título específico "Especial Zeca Afonso". Hoje incluímos o terceiro e o quarto vídeo.
É trabalho bem realizado, em que ficam registos e depoimentos sobre a vida e a obra de uma figura tão fascinante como era (é!) o nosso Zeca.

Façam o favor de saborear!

A gentalha traz os amigos do zeca ao pichel | 6 de Novembro


Esperamos ver-vos!
6 de novembro 21h30 Rua Santa Clara, 21
Santiago de Compostela, Galiza
Na virada (Galiza)
José Pumar (Galiza)
Uxia Senlle (Galiza)
Luís Almeida (Portugal)
Estarám connosco Xico de Carinho, Benedito, Antom Labranha, Juan Guitián e Arturo Reguera.
Haverá petiscos.
Venda antecipada no Pichel (aforo limitado)

Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Tributo ao Zeca Afonso | Poema de Adelaide Graça

Sopra o vento pelas praias do mar
Mar de mar
O poema solta-se do cárcere em voo de gaivota

Zeca:
Viemos mais cinco
A música tem o gosto colado das Astúrias
Trouxe outro amigo também. E ainda outro e mais outro…
Viemos muitos mais
O Coro dos tribunais
E, às voltas, como um andarilho
Andamos ainda, vê bem, à procura de quem pintou
este maduro Maio
Ah, mas eu vou ser como a toupeira Fura Fura
Trilharei Portugal
Rasgarei Angola e Moçambique
E se um dia voltar a nascer que seja num moliceiro
Ao teu encontro
Como galinha-do-mato
No gosto verde dos campos
O cheiro rosado das amoras…
Sorvendo-te
Inalando-te
Eu, uma cachopa. Enamorada
Toda enamorada!
Descalça das minhas tamanquinhas, o vestido no regaço
É apenas um salto entre duas rias na barquinha d’Aladim
Entre terras e muralhas, noites e alvoradas, esta mulher lá do Minho
das sete que te fadaram.

Que seja mais um poema o filho da madrugada
O poema sobre quem ainda sopra o vento
do canavial
Solta-se o tempo!
As pétalas escrevem-te na pauta dos sentidos. Estás aí
No vento que foi
Entre o sol e a lua
E na Fuzeta a noite nua. Toda nua: Achega-te a mim
Sou a tua Maruxa.
Nas azenhas a serenata proibida. És tu
Em Vilar de Mouros.
No “Cantar de Emigração” de Rosalía de Castro
E o teu nome escrito. Em Santiago
Nas vilas morenas à espera de serem Grândolas
No vento que ainda não veio
Que se cale a cabra dos doutores na hora das baladas
e canções.
E não me obriguem vir para a rua gritar:
- Venham enlaçados de mãos dadas semear o amor –
Maçaroca, milho verde nas margens deste rio que é pai
Galiza pátria.


Adelaide Graça

Tributo ao Zeca Afonso
Vigo (Verbum) 21/05/2009

Domingo, 1 de Novembro de 2009

Reunião

REUNIÃO DE ENTIDADES SUBSCRITORAS DO PROJECTO "80 ANOS DE ZECA"

DIA 3 DE NOVEMBRO, 3ª FEIRA, 21H 30M,
SINDICATO DOS PROFESSORES DO NORTE,
RUA D. MANUEL II, EDIFICIO CRISTAL PALACE,
FRENTE AO MUSEU SOARES DOS REIS, PORTO.
(ABERTA A QUEM QUISER PARTICIPAR).